10/03/2006
Chennai
Alocação
Fala povo!!!
Bom, só pra recapitular, quando cheguei na Índia fiquei 2 semanas em Mumbai, tendo choques culturais com a amiga mangueirinha e amigão baldinho… além da pimenta… depois fui pra Trivandrum ter o treinamento suuuuuuper legal de IT da empresa com modelos da Africa do Sul…. E de quebra aproveitei pra dar uma chegada em umas praias, um parque nacional (Peryar Park), Backwater e até cheguei a ir a Goa…..
Quando cheguei de Goa recebi a notícia de que estavam me procurando a não sei quantos dias (pq teóricamente estavam tentando me alocar, e alocar os outros trainees em alguma area da empresa durante essa uma semana de intervalo entre fim de treinamento e começo de trabalho…..)
É fato que em Goa enquanto estava na praia, banho de mar e tudo mais, porém duas vezes tive que interromper esse ritual para ter entrevistas de alocação por telefone… mas tudo bem, vim pra cá pra trabalhar....
Então chegando me falam que Deus e o mundo me procuraram nesse um dia de viagem de trem que não estive em contato com a civilização..... foi um auê....
Resultado, sexta-feira, último dia de alocação não sabia pra onde eu iria... só sabia que no sábado, dia seguinte pegaria um avião.... pra onde??? Só Krishna sabia.....
Misteriosamente recebi uma ligação e fui parar no mesmo projeto de outro brasileiro, Paulo, do RS, em Chennai.... no sábadão estava em Chennai....
Chennai....
Geralmente, quando vc pergunta sobre Chennai sobre um indiano o cara sempre torce o nariz e fala “Chennai?? Ahhh.... too hot”..... (imagina uma cara bem de nojo nessa hora! É assim mesmo...), e, realmente Chennai é quente, quando estive lá a temperatura variava entre 32 e 36 graus... e dali dois meses todo mundo falava que iria bater os 45 graus...
Acho que é um dos poucos lugares do mundo em que todo mundo fica até tarde no escritório com gosto... isso é pq, todo mundo sai de casa antes das 8hs e não ousa voltar pra casa e sair do ar condicionado antes das 19hs por causa da temperatura....
Porém, também é verdade em Chennai tive uma das melhores condições de qualidade de vida enquanto estive na Índia... principalmente pq morava num flat da Aiesec ha 10 minutos do trabalho, isso é uma delícia!!
O flat da Aiesec... muito mais do que eu mereço
*Nao sei se comentei antes mas “muito mais do que eu mereco”, foi uma expressao que eu adotei no Brasil por influencia dos meus amigos Abobras (time de rugby) da Sao Francisco... e ela se encaixa tao bem em qquer contexto que foi traduzida parra “It’s much more than what I deserve” e foi amplamente adotada em Mumbai, Bangalore, Hyderabad e por a’i vai....
Na verdade ‘e mais do que uma expressao, ‘e uma filosofia de vida que busca a felicidade nas pequenas coisas... ou em qquer coisa. ‘E o item numero 1 no manual de sobrevivencia da India j’a que mtas vcs vc tem q dar por satisfeito e ultra feliz se encontra uma rua com calcada, mulher de calca jeans, onibus com bancos que suportem o tamanho dos seus joelhos e assim vai.
Quando cheguei lá moravam um chinês/Hong Kong, um boliviano e um colombiano... os caras eram muito gente boa....
Victor (nome ocidental adotado por ele, pq o original era Chin shau uen... ou coisa parecida), o chinês era o playmobil em pessoa! Estendia os bracinhos e tudo mais.... Além disso ele tinha a tendência de cortar as vogais, pelo sotaque dele... Então todo dia chegava em casa e ouvia:
(por favor, tentem imaginar o diálogo com um playmobil mexendo os braços, ok??)
“He! Re na to! Ho was yo de? (Hey, Renato! How was your day??)
It was really good chinês, and yours??
Oh! Go to! (Oh! Good too!)
Te me, in Brazi do yo wor ly tha? (Tell me, in Brazil do you work like that?)
Sometime chinês, sometimes....”
E assim ia o diálogo.... e, fazer brincadeiras de duplo sentido com ele nem pensar, ficava desnorteado... se bem que, depois de 6 meses voltei a encontrá-lo em Mumbai, acho que a convivência com o povo da América Latina fez ele pensar de outro jeito (oq nao sei se é recomendável???)
Aldo, o boliviano.... era o latin lover do grupo, apavorava todas as menininhas intercâmbistas de Chennai! (parametros indianos pessoal, muito mais do que eu mereco)
Edward, colombiano.... realmente os colombianos odeiam aquela brincadeira de tapar o nariz com uma das mãos e fingir que vc está cheirando cocaína.... posso dizer q ele ficava bem irritado, todo mundo fazia isso... deve ser como chegar toda hora para um brasileiro e falar de violência, corrupção, pobreza.....
Qdo cheguei o Aldo e Edward estavam numa situação nada legal... o traineeship deles se tratava de um call center para a América Latina que pelo fuso horário tinha que funcionar de madrugada, que era o turno deles.... e pelo que eles falavam, eles ficavam lá a noite inteira para receber 2, 3 ligações.... e, isso era completamente o oposto do que dizia a descrição da vaga qdo eles se inscreveram... a vaga deveria ser de uma posição de contato com cliente, definição de planos, etc...
Resultado, sairam do trabalho e com a ajuda da Aiesec-Chennai ficaram tentando achar outra coisa.... três meses depois o Aldo arranjou um outro traineeship (que tbm não era mil maravilhas), mas o Eward acabou voltando pra Colômbia para não deixar a passagem de volta para a Colômbia vencer a validade....
De qquer jeito é frustrante vc vir com o propósito e encontrar outra coisa por aqui... no caso do Aldo certamente não era uma vaga perfeita (a nova), mas pelo menos iria trabalhar um tempo aqui.... no caso do Edward, voltar pra casa foi a melhor coisa (custo/benefício)... e isso acontece demais nos traineeships da Índia.....
Trabalho
Então... mta gente falou pra eu comentar pro trabalho pq parece que eu vim pra Índia só pra viajar etc e tal....
A chegada em Chennai....
Como disse, numa sexta-feira apenas sabia que iria viajar no sábado mas só Krishna sabia pra onde.... de repente recebi uma ligação misteriosa (ahh Mister M) e vim parar em Chennai....
Saindo do aeroporto, já me sentido O malandrão da Índia, decidi que não iria de rickshaw pro hotel provisório da empresa.... iria de ônibus, trem ou qquer outro transporte público....
Após brigas e brigas com os motoristas de rickshaw (No! No! Boss!)... consegui chega em uma estação de trem.... com a brilhante idéia de pegar um trem lotado com meu mochilão e meu violão....
Diria que não foi confortável, e só consegui sair de lá com a ajuda de alguns indianos que iam no meu “fluxo de gente”na estação de destino....
Sobre o projeto....
EclearSettle era o nome dele....
Se trata de um sistema para o backoffice do sistema financeiro (hein???)....
Assim.... qdo vc compra uma ação, opção, debênture ou qquer coisa do tipo... essa transação precisa ser registrada....
Por exemplo, a ação vai pro seu nome, pra sua conta, que é de um tipo específico X.... a transação foi feita por um broker autorizado Y, que é filiado a uma instituição financeira Z.... e a mesma estrutura existe do lado do vendedor....
Após feita a transação o broker vai lá e registra tudo numa instituição financeira cuja função é ter o controle sobre todo e qualquer papel transacionado nessa “bolsa”....
Quando eu entrei esse era um projeto novo com clientes nas Filipinas e nos Emirados Árabes... basicamente só tinha espaço para trabalhar com IT no projeto (codificar, não lembro qual era a linguagem usada por la....) e pro povo de Management era... ou vender o produto, comercial, ou testar.....
O plano de marketing/vendas era bem precário e não tinha nenhum foco na Am. Latina... então me jogaram pra testar, pra trabalhar com Condições de Teste.... oq vem a ser Condições de Teste de um sistema????
Bom, imagine vc..... qdo senta na frente de um computador e vai executar um software q não é nada demais... só tem a função específica de executar uma, UMA, tarefa.... e.... pra variar, dá um pau!! heeheh
Nesse momento vc xinga o programador do software, todas as gerações dele e tbm o Bill Gates, mesmo que não tenha nada a ver com a microsoft é sempre bom ressaltar!!
Então... aí o Renatão entra pra história.....
Um programa é feito por pessoas... logo podemos ter como pressuposto que existem erros.... as condições de teste foram feitas para tentar minimizar os erros existentes no sistema..
Num sistema, vc tem as entidades... que basicamente são as variáveis fundamentais de um programa q definem como ele pode funcionar.... (hein???)
voltando pra terra....
Supondo q vc possa ter 2 tipos de usuário, convidado e administrador....
Tbm supondo q cada usuário possa ter 3 tipos de conta: poupança, corrente e aplicações...
E assim vai com tipos de broker, tipos de bancos autorizados... etc....
Então, nas condições de teste vc verifica se é possível registrar uma transação com um usuário válido... com usuário inválido.... com usuário válido, mas com conta negativa.... com usuário válido, mas com conta não autorizada para aquele tipo de transação... e assim vai.... suuuuuuuuuper interessante....
Realmente não gostei do trabalho... não tinha nada a ver com o tinha me proposto a vir pra cá (teoricamente vim trabalhar com financas) e, pra completar... minha grande “briga” no projeto foi para que houvesse um padrão... pq cada um da equipe de teste pegava um documento diferente e formulava os testas como bem entendia... sem padrão algum....
Depois de mto explicar q um pode estar testando, por exemplo, somente se os caracteres (números/letras) de um campo são válidos e outro só se o tipo de conta é válida.... os caras entenderam.... mas falaram pra deixar como está....
Quando percebi que aquele projeto não era nada do que eu pensava em fazer comecei a encher o saco do povo de RH pra mudar de projeto... e assim foi, um mês depois estava em outro projeto.....
Num proximo post escrevo qual a minha impressao sobre o modo de trabalhar indiano...
Os hashers!
Qdo me falaram sobre eles eu nao entendi nada.... mas gostei da descricao!
Se tratava de um grupo de estrangeiros que corria em algum lugar de Chennai a cada duas semanas e tomava cerveja no final, sendo patrocinados pela cerveja local...
“Muito mais do que eu mereco!!”
E nao dava pra entender mesmo, era uma coisa meio insana.... em Chennai, sob um sol de mais de 30 graus, no meio da pobreza indiana... numa vizinhanca super rica, nao sei de onde tiraram, com varios estrangeiros... uma corrida de uma hora que passava desde as casas mais ricas at’e meio de favelas...
E no final, cerveja e salgadinho na super casa de um deles... e... mais coisas insanas...
Na verdade se tratava de um bando de bebados que inventaram uma desculpa diferente pra beber, e ainda conseguiram ser patrocinados....
Entre as insanidades que os caras faziam, a maior delas era comprar um enorme paralelepipido de gelo (1m x 1m x 0.5m) e fazer todo mundo sentar no gelo enquanto todo grupo cantava musicas bebadas como:
“Nos somos os hashers.... Nos dominamos tudo... Nos somos os hashers... bla bla bla”
Bom, no final de tudo foi divertido e a cerveja estava gelada!
09:22 Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail


Comentários
faaalaa Renatao!!
sou o primeiro a escrever nesse post - acho q vc tava tanto tempo sem escrever q o povo esqueceu do seu blog! As historias continuam otimas mas, puta merda, como business eh uma coisa xarope!! ahhahaa
Abracao! nao se esqueca de reaviver os velhos tempos em budapest!
Abracao
Viotto
Escrito por: Viotto | 10/04/2006
Fala,
Mané... Cara, pena que nao deve dar muito tempo de voce atualizar o seu blog. Cada vez que leio suas estórias eu me cago de rir e fico com muita vontade de fazer este esquema da AIESEC. Deve ser muito irado! Só preciso tomar vergonha na cara e me formar na porra da FEA.
Abração, muita saúde e que tudo continue indo bem com você.
Abração
Rodrigo
Escrito por: Mineiro | 14/04/2006
Oi Renatao!!!!!!!!!1 Ta fazendo sucesso na minha familia agora, pois a tarefa de trovar sobre a India eh uma faca de dois legumes!!!!!!1 Se lembrares do quadro do Jo, talvez nao seja da tua epoca, mas eh "O pior eh que eu acrediteiiiiiiiii!!!!!""" Venha acalhar com o que penso sobre a India "espiritual"
Viva a Thailandia
Beijoca se cuida
Adriana da India
Escrito por: Adriana | 26/04/2006
Renato, sou mãe de Adriana que está na India e que me enviou este, adorei a tua forma de escrever e acho que deves continuar a escrever pois o teu estilo é muito bommmmmmmmmmm.
Felicidades é o que te envio aqui de Porto Alegre, onde moro.Ceres 30-04-06
Escrito por: Ceres Maria Moura Vargas | 30/04/2006
Oi, Estamos indo trabalhar em Chennai, eu Magali, Meu marido Fladiomir e tenho uma finha de 6 anos. Estou curiosa de como será nossa vida ai. Será que consigo uma boa escola para ela?? Pode mandar algumas fotos, como é a comida??? Estamos tendo algumas aulas de inglês.....
Escrito por: magali silveiura | 06/06/2006
Ha, Adorei seu glog.....
Escrito por: magali silveiura | 06/06/2006
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